28 de dezembro de 2010

Poesia de Alfredo Heitor Tomo III: Compilação de dois poemas

Ficam aqui dois poemas da fase mais triste da carreira poética de Alfredo

Sai


Eras mais forte
E eu tão impotente
Implorava-te
Pedia-te
Distância
E tu, minha puta
Sempre a foder-me o juízo

Nunca te quis
Nunca gostei de ti
Nunca gostei da tua companhia
Nunca gostei da tua presença
Que bela merda me saíste

Expulsei-te uma vez
Voltei a expulsar-te
E mais uma vez
E mais uma vez
E outra

Não me perdoavas os excessos
E eu
Pobre
Lá levava contigo de novo
Até começavas a cheirar mal

Morre longe
Diarreia


Cão 

Era uma vez
Um cão
Não tinha nome
Era da rua
Não tinha raça
Era da rua
Não tinha dono
Era da rua

Tinha o pêlo castanho
Rafeiro
Não tinha pulgas
(pelo menos que se visse)
Era simpático
Tinha a língua de fora
Queria brincar

Atirei um pau
Ele foi buscar a correr
Veio um carro e atropelou-o, passou-lhe por cima da cabeça esmagando-a, fazendo jorrar sangue pela estrada. Como ia a alta velocidade, o incidente levou a que o carro guinasse e saísse para fora da estrada. Como a valeta era funda, o carro capotou e o acidente causou morte imediata aos cinco passageiros.


2 comentários:

Siegfried disse...

És um génio :D

Daniela Salsa disse...

não é a cadeira da elisa que vou deixar para trás homem, é design gráfico :d

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